Debate da Gazeta: O pior momento de Pazolini

A apenas 4 dias das eleições, o aguardado debate da Rede Gazeta na noite desta terça (29) esquentou a disputa e trouxe para Lorenzo Pazolini (Republicanos) um desconforto a mais. E diria preocupante.

E não me refiro às questões como a falta de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), umazinha sequer, em Vitória, cidade em que ele governou por dois mandatos. Ou mesmo outras questões administrativas levantadas pelos debatedores Ricardo Ferraço (MDB) e Helder Salomão (PT).

O que me pareceu determinante no debate foi Ricardo ter chamado Pazolini de autoritário, citando exemplos, e tirando do candidato sua aparente cara de tranquilidade serenidade. O Republicano sentiu.

Interessante que esse tema já vinha sendo tratado pela campanha Ricardista, onde Pazolini era apresentado como um gestor isolado, que não conseguia estabelecer relações com os outros prefeitos da Grande Vitória, e muito menos com o Governo do Estado.  Mas no debate, esse mote foi usado com mais gás e exemplos contundentes. Em um deles, o famoso episódio do ex-prefeito com sua ex-vice Capitã Estefane, quando tomou o microfone da mão dela durante discurso.

Mas por que esse tema autoritarismo seria tão preocupante?

Na atual disputa Pazolini é apoiado apenas por dois prefeitos, num universo de 78 municípios. A ampla maioria está com Ricardo. Como seria um eventual governo do Republicano e sua relação com esses prefeitos que pensaram diferente e apoiaram outro nome?

O governo Renato Casagrande (PSB) – e aí leia-se também governo Ricardo Ferraço – estabeleceu um governo de amplo investimento em todos os municípios capixabas. Investimento e intenso diálogo. O governador Casagrande foi presente, seja em momentos críticos como pandemia e enchentes, ou momentos festivos comendo barrinhas de cereal (torresmo) e beliscando um aperitivo. Ricardo seguiu a linha.

Pode-se de dizer que foi mais que um mero governo de investimentos e ações administrativas, foi um governo de alegria, companheirismo, bom relacionamento e franqueza. Os prefeitos aprenderam que podiam sentar na mesa do Palácio Anchieta e dialogar sobre onde, como e quanto usariam do orçamento estadual.

Casagrande e Ricardo chamavam à mesa os prefeitos para discutir obras e projetos municipais. Nunca um governo foi tão municipalista quanto esse. Os prefeitos gostaram e o resultado está ai, uma ampla e absoluta maioria apoiando a reeleição de Ricardo.

Vamos a um exemplo rápido sobre o tema. Voltando em 2022, Casagrande teve uma disputa dura com Manato. Em três grandes cidades do Sul, ele perdeu em todas. Perdeu em Cachoeiro nos dois turnos. Perdeu em Marataízes nos dois turnos. Perdeu em Itapemirim nos dois turnos. Mas foi reeleito governador. Ao assumir o segundo mandato, Casagrande aumentou os investimentos nos três municípios, sem olhar para trás. Sem perseguir, sem excluir.

Por isso que puxar esse tema a poucos dias de uma eleição é fator preponderante, sobretudo para os prefeitos. Sabido, Ricardo entrou de sola no tema e deixou Pazolini tonto. O ex-prefeito de Vitória não teve firmeza, muito menos foi convincente, ao discutir (e explicar) tanto os episódios do passado, quanto (e principalmente) tranquilizar os eleitores de como fará e agirá no futuro, caso seja eleito.

Classifico o debate como o pior momento de Pazolini, uma vez que vem mantendo um bom duelo eleitoral com Ricardo, mas mostrou-se nocauteado quando abordado em temas administrativos de sua passagem pela prefeitura da capital, mas principalmente quando cutucado sobre o seu temperamento político/administrativo.

Existe um número de indecisos que pode definir a eleição ainda no primeiro turno no Espírito Santo. Ao mostrar-se vacilante no debate, Pazolini pode perder terreno e votos. Sua atuação no debate merece muita atenção de seu comando de campanha, caso haja segundo turno e outro debate.

Mas, mais que atenção, caso Ricardo não vença no primeiro turno, o grande desafio de Pazolini no segundo turno será convencer os eleitores e as lideranças políticas do Espírito Santo que pode fazer um governo melhor que o atual, tanto administrativamente quanto democraticamente. Coisa que deixou a desejar no debate da Rede Gazeta.

Precisará (se ainda der tempo) convencer os eleitores das cidades cujos prefeitos apoiam Ricardo que fará um governo sem perseguir e sem excluir, e que governará para todos. Sem exceção.

O Espírito Santo vive o melhor momento da sua história. E a democracia tem sido preponderante na vida dos capixabas. Não há margem para retrocessos. Quem quer governar precisa saber disso, e, principalmente, fortalecer esse conceito basilar.

Foto de capa: redes sociais  

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