A inteligência artificial já consegue reproduzir rostos, vozes e formas de falar com grande realismo. Na área da saúde, porém, o uso dessa tecnologia para criar personagens que se apresentam como médicos pode confundir pacientes e favorecer a disseminação de informações falsas.
O alerta ganhou força após uma força-tarefa do Governo Federal identificar 97 perfis no YouTube que utilizavam IA para simular médicos e outros profissionais de saúde. Segundo o Ministério da Saúde, alguns conteúdos faziam promessas de cura e tratamentos sem comprovação científica, além de promover produtos, e-books e serviços pagos. Parte dos perfis era direcionada especialmente ao público idoso.
Além da informação falsa, outro problema é a aparência de autoridade que esses personagens conseguem transmitir. Jaleco, linguagem técnica, voz e comportamento semelhantes aos de um médico podem fazer com que o público confie no conteúdo sem verificar sua origem.
Para o diretor-presidente da Unimed Sul Capixaba, Bruno Beber Machado, o principal risco é a pessoa confundir uma ferramenta tecnológica com atendimento médico.
“A IA pode fornecer informações incorretas, não reconhecer sinais de gravidade e levar ao atraso de diagnósticos ou ao uso inadequado de medicamentos.”
Entre os sinais que devem despertar desconfiança estão promessas de curas milagrosas, resultados garantidos, soluções instantâneas e tratamentos que supostamente funcionam para qualquer pessoa. Conteúdos que utilizam medo ou senso de urgência para vender medicamentos e produtos também merecem atenção.
Outra recomendação do Dr. Bruno Beber é verificar quem está por trás do conteúdo. Segundo ele, quando alguém se apresenta como médico, o paciente deve consultar se o profissional possui registro ativo no Conselho Regional de Medicina. Também é importante buscar informações em canais oficiais de instituições de saúde.
A orientação é especialmente importante antes de tomar decisões sobre tratamentos. Medicamentos não devem ser iniciados, interrompidos ou trocados com base apenas em vídeos encontrados na internet. De acordo com Bruno, as novas tecnologias podem contribuir para a educação em saúde, mas devem complementar, e não substituir, a relação entre médico e paciente.
A discussão não significa, porém, que a inteligência artificial não tenha espaço na medicina. “A tecnologia já vem sendo utilizada como ferramenta de apoio em diferentes áreas, inclusive pela própria Unimed Sul Capixaba. A diferença está na forma como ela é empregada: como suporte ao profissional de saúde, e não como substituta da avaliação médica ou como uma falsa autoridade.”, acrescenta Bruno.